ADAPTAÇÃO DE RECURSOS EDUCACIONAIS ABERTOS


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Introdução


Este capítulo pretende abordar a questão da adaptação dos REA. Quando não dispomos dos meios, tempo, ou perícia para criar, desenhar ou desenvolver um material/ recurso educacional, podemos recorrer à adaptação de recursos educacionais abertos (REA) já existentes, de tal modo que o produto final esteja adaptado às novas necessidades de educação/formação. Recorrendo à adaptação de recursos educacionais abertos tiramos partido de materiais já desenvolvidos mas asseguramos que os mesmos estão adequados à realidade/contexto/alunos/formandos a que se destina o "novo" recurso.

A adaptação inclui a inserção e remoção de componentes, mudança da sequência de actividades de aprendizagem, edição e mistura de imagens, texto, áudio e vídeo, etc., para se adequar ao estilo do professor/educador e corresponder às exigências dos alunos.


Segundo Sempebwa, a adaptação de recursos educacionais abertos pode ocorrer em 1 de 4 níveis:
  • nível 1 - alteração da imagem corporativa: modificar o nome, logótipo e contactos da nova instituição no contexto da qual o recurso vai ser utilizado.
  • nível 2 - adaptação local: adequar o REA a uma novo contexto/local, mediante a introdução de exemplos adequados ao mesmo.
  • nível 3 - contextualização: alterar o conteúdo e a sintaxe para adequar às características do público-alvo e aos princípios da instituição responsável.
  • nível 4 - material presencial para material a distância: adequar os materiais utilizados em formação FAF (face-a-face) para materiais utilizados em e-learning.



Motivos para se adaptarem REA (ISKME , 2008), como por exemplo:
  • ter em consideração um estilo de ensino particular ou estilo de aprendizagem;
  • adaptar a um nível diferente;
  • adaptar a uma disciplina diferente;
  • ajustar a um ambiente de aprendizagem diferente;
  • atender às necessidades da diversidade;
  • atender a uma preferência cultural;
  • dar suporte a uma necessidade específica pedagógica;
  • dirigir-se a uma escola particular ou a um currículo padronizado de uma região.

Exemplos de adaptações:
  • Um professor traduz uma página web sobre a Rainha Isabel II da língua Inglesa para a língua Francesa;
  • Um professor substitui fotos retratando crianças russas trabalhando num projecto de água por imagens que são mais familiares aos seus alunos, no Gana;
  • Uma professora muda a terminologia de uma unidade do quarto ano sobre vôos espaciais para torná-la mais adequada aos alunos do terceiro ano.

Localização
É colocada uma grande ênfase na localização: adaptar um REA a um cenário específico (incluindo a tradução), alterar os formatos das datas e moedas e recontextualizar o REA para ser mais significativo para os alunos no contexto local. O contexto pode ser tão diferentes como uma sala de aula noutro continente ou tão similar como outra turma na mesma escola.

Internacionalização
A localização (l10n) caminha lado a lado com a internacionalização (i18n). Enquanto l10n está preocupada com a adaptação de um REA ao contexto local, i18n está preocupada com a preparação para a adaptação dos REA por outras pessoas, em vários cenários.
Considere as adaptações que deverão ter lugar para serem utilizadas por outros professores/educadores. Depois pergunte-se se esses materiais precisam de ser alterados para reduzir a quantidade de tempo que outros professores teriam de gastar na adaptação.


Reflexão I
Questões para pensar:
  • O recurso refere especificamente alunos individuais ou grupos?
  • Será que o recurso faz referência especial a edifícios locais, monumentos ou a pessoas?
  • Que tipo de tradições e costumes locais segue o recurso?
  • Existe alguma coisa sobre o conteúdo que é personalizado?
Note-se que estas questões não se destinam a defender que todos os possíveis REA devem remover qualquer tipo de "sabor" local. De facto, em alguns casos, é melhor deixar intactos os elementos, pois eles podem tornar o REA mais interessante e emocionante. Além disso, não se deve tentar fazer um REA aplicável a qualquer utilização possível. Esse, muito possivelmente, seria inútil para a maioria pessoas, porque seria demasiado vago.

Reflexão II
Ao rever as respostas às perguntas anteriores, considere-se o seguinte:
  • Qual a importância das partes localizadas do recurso para o seu valor educacional?
  • Quão interessantes são as partes adaptadas?
  • O que aconteceria ao recurso se as peças localizadas fossem retiradas?
  • Podem as partes adaptadas ser substituídas sem uma diminuição do seu valor educacional?
  • Podem as partes adaptadas ser substituídas sem reduzir o interesse do recurso?
Ajustar a quantidade de adaptações aos seus próprios materiais para se tornarem um REA é uma questão de equilíbrio. Deve incluir informações que sejam relevantes, familiares e atraentes para os seus alunos, mas deve igualmente estruturar o REA de tal forma que a substituição dos itens sensíveis ao contexto seja fácil para outros professores poderem fazer alterações. Uma das dificuldades na resolução destas questões é que nunca se pode dizer exactamente quem irá utilizar os materiais. O conselho mais útil que pode ser dado é o de analisar cuidadosamente o material e utilizar o bom-senso. Como professor, sabe quais são as exigências da sala de aula e deve ser capaz de decidir a melhor forma de fazer um recurso útil para outros professores.


1 - Qualidade


A primeira questão a considerar na adaptação de recursos educacionais abertos é a qualidade. Para garantir a qualidade de um REA, devemos ter em conta uma série de questões, explicadas de seguida.
Adaptar um recurso educacional pode passar por adequar o mesmo a um contexto diferente daquele para o qual foi criado. Para desenvolver esta tarefa tendo em vista a qualidade do recurso, há que compreender o papel do recurso no seu contexto original. Do mesmo modo, quando recorremos a vários recursos para construir um novo, devemos ter em conta a sua sequência lógica. Para tal, devemos, no final da sua adaptação, rever o recurso educacional adaptado do início ao fim.
Os termos técnicos utilizados no recurso devem ser explicados de tal forma que os utilizadores os compreendam. Dependendo do recurso, pode decidir-se manter os termos técnicos, explicando-os, ou retirar os termos.
A Apresentação/formatação do recurso educacional adaptado não deve ser descurada, recomendando-se que seja a mesma do início ao fim. Nesta tarefa estão incluídos a homogeneização da formatação, por exemplo, do tipo de letra, das imagens ou do volume do som de recursos áudio.
Quando adaptamos recursos, e por forma a garantir a qualidade do recurso educacional adaptado, devemos ainda rever o recurso no que respeita à pessoa utilizada no texto escrito: independentemente de o texto estar escrito na 1ª, 2ª ou 3ª pessoa do singular ou 1ª, 2ª ou 3ª pessoa do plural, o importante é que o estilo seja sempre o mesmo.
Quando adaptamos recursos, podemos proceder de uma forma, entre duas possibilidades:
1. definir à partida como queremos organizar o recurso e o respectivo guia de estilo e modificar todo o material tendo em conta o anterior;
2. encontrar a organização/apresentação/formatação/estilo mais frequente no recurso e adaptar todos os materiais a esse estilo mais comum.
A primeira opção é mais adequada quando o recurso adaptado é construído com base em vários recursos e a segunda opção é mais adequada quando, embora recorramos a vários recursos, haja um que prevalece.
Gerir as diversas origens de uma recurso adaptado é um grande desafio, especialmente quando o mesmo é composto por recursos com formatos diferentes: áudio, vídeo e texto. Todas as citações do recurso devem estar identificadas. Algumas estratégias e organização das diversas origens do recurso podem ser:
1. organizar um ficheiro Excel ou Word com a listagem das fontes, identificado o respectivo formato, licença e localização no recurso adaptado;
2. guardar os ficheiros em pastas separadas, organizados de acordo com a licença.
Esta segunda estratégia tem especial importância para detectar materiais e fontes que possam ter incompatibilidades de licença.

Finalmente, é importante sublinhar que há determinadas situações em que adaptar um recurso educacional é desadequado e deve mesmo ser evitado.

2 - Tradução de um REA


Translation/Tradução
Translation/Tradução

Embora seja difícil determinar a qualidade de um REA noutra língua, é frequente haver traduções que surgem à medida que são necessárias. Atenção que o material Creative Commons com o selo “No Derivatives” (ND) não permite tradução (Hatcher, 2008).
A tradução pode ser um processo demorado. Antes de iniciar uma tradução, certifique-se se já há material equivalente na língua visada. Normalmente os produtores de REA verificam se o seu REA está disponível em várias línguas. O próximo passo é contactar os responsáveis por REA para solicitar o acompanhamento da tradução.
Havendo esta possibilidade, será uma ajuda preciosa, uma vez que estes conhecem o sentido original e a intenção do REA. Se o criador do REA não for bilingue ou se estiver indisponível, procure alguém que entenda bem quer a língua original quer a língua a traduzir.

A tradução processa-se normalmente em duas fases:
- Tradução rápida, aproximada, por ex., através de tradutores online, como o Google Translate, ou recorrendo a estudantes que dominam outras línguas.
- Tradução fina, apurada – as máquinas tradutoras deixam incongruências que exigem intervenção humana, por isso é necessária uma segunda tradução. Quando encontrar um tradutor, peça-lhe para confrontar a versão de rascunho com o REA original. Assim que a segunda tradução estiver pronta, providencie uma nova tradução (por um tradutor diferente) antes de solicitar a um potencial aprendente que verifique se o REA faz sentido. Reveja sempre que necessário.
Alguns tipos de REA (por exemplo, aqueles com vocabulário altamente especializado) exigem a selecção de intérpretes com conhecimentos sólidos na área, em ambas línguas.


3 - Versões offline


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Esta secção insere-se no capítulo da Adaptação dos Recursos Educacionais Abertos (REA), tendo dois objectivos fundamentais:

  1. Explicar a necessidade da existência de REA offline;
  2. Apresentar métodos que podem facilitar a utilização dos REA offline.

Sumário desta secção:

A - Definição do conceito;
B - Motivos para utilização de versões offline;
C - Vantagens da utilização de versões offline;
D - Tipos de Recursos offline
E - Recursos que requerem modificações para utilização offline
F - Métodos para fornecer REA offline
G -
Outras informações e conselhos para utilização de versões offline


A - Definição – são versões de Recursos Educacionais Abertos (REA) que podem ser utilizados sem uma ligação à Internet .
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B - Motivos para a utilização destas versões

A utilização dos REA offline pode dever-se a vários motivos, entre os quais se destacam:

  1. A banda larga ser limitada em muitos países;
  2. Existirem locais/regiões onde é difícil o acesso à internet;
  3. Preço da Internet ser elevado.

C - Vantagens da utilização de versões offline

Podemos apontar várias vantagens para
a utilização das versões offline, nomeadamente:

  1. Poupar custos de acesso à Internet;
  2. Aumentar a velocidade de acesso aos Recursos;
  3. Possibilitar novas formas de colaboração e modificação dos Recursos.

D - Tipos de Recursos offline prontos para serem utilizados

Muitos dos recursos disponíveis online estão prontos para serem utilizados offline, por exemplo:
  1. Ficheiros vídeo, áudio (existem vários tipos de ficheiros áudio ) e figuras que podem ser retiradas da Internet;
  2. Páginas de texto sem os hyperlinks;
  3. Pacotes de REA na forma digital de acordo com determinados padrões.

E - Exemplos de recursos que precisam de modificações para utilização offline (entre outros):
  1. Áudio e vídeo;
  2. Recursos baseados em Flash que não se permite fazer download. Segundo a Wikipedia, o Adobe Flash (antes: Macromedia Flash), ou simplesmente Flash, «é um software primariamente de gráfico vectorial - apesar de suportar imagens bitmap e vídeos - utilizado geralmente para a criação de animações interactivas que funcionam embutidas num navegador web. O produto era desenvolvido e comercializado pela Macromelia, empresa especializada em desenvolver programas que auxiliam o processo de criação de páginas Web». O download do flash pode ser feito a partir da Internet, no sítio da empresa ..Existem vários tutoriais no no youtube sobre o Adobe Flash. Por exemplo:

3. Páginas de textos que implicam seguir algumas/todas as suas ligações para fazerem sentido.

F - Métodos para fornecer REA offline:

Existem várias maneiras de as cópias locais poderem ser fornecidas:

1 – Espelho de um Sítio na Internet.
O conceito de espelho Web pode ser entendido do seguinte modo:

«A mirror is an exact copy of a Web site running on a different server. The site may be mirrored to reduce traffic at the main site, or used as a backup site in case there's a problem with the main site. You can even mirror a Web site on your home computer». Citado de eHow.
Em suma, um espelho é uma cópia (exacta) de um site. Existem programas que ajudam a criar estes espelhos.
Os espelhos podem ser de dois tipos:
Espelhos estáticos – são instantâneos de um momento de um Sítio existente;
Espelhos dinâmicos – são, geralmente, «semeados» com uma quantidade substancial de conteúdo copiado do servidor original e actualizados dinamicamente com base nas solicitações dos utilizadores quando esteja disponível uma ligação de Internet.
Existem alguns sites populares alojados em espelhos pelo mundo fora com o objectivo de reduzir o tempo de acesso dos utilizadores espalhados pelo mundo. Um bom exemplo é o website sourceforce.net . A base do conceito sourceforce.net é, sobretudo, o alojamento de projectos de software livre (pode ler-se no seu Sítio na Internet que a «SourceForge.net is the world's largest open source software development web site. We provide free services that help people build cool stuff and share it with a global audience»), mas, secundariamente, a utilização de muitos locais diferentes para atingir um objectivo: manter a disponibilidade de download para os utilizadores.

2 – Web proxy /cache: um proxy server age como um «intermediário» entre o utilizador e o recurso. Um proxy server pode ser utilizado para filtrar o acesso a determinados recursos, mas também para direccionar os utilizadores para cópias locais de recursos da Web. Os utilizadores não se apercebem que estão a utilizar uma cópia local.

3 – Recursos passíveis de serem impressos : alguns sites REA fornecem os recursos em formato para impressão (como pdf) . A Wikipedia define da seguinte maneira o conceito de pdf:

««Portable Document Format (ou PDF) é um formato de arquivo, desenvolvido pela Adobe Systems em 1993, para representar documentos de maneira independente do aplicativo, do hardware e do sistema operacional usados para criá-los. Um arquivo PDF pode descrever documentos que contenham texto, gráficos e imagens num formato independente de dispositivo e resolução.»

Isto é útil para professores/educadores com acesso pontual à Internet, podendo, deste modo, imprimir cópias para os alunos sem acesso à Internet.

4 – Copiar conteúdos: se se desejar modificar e adaptar materiais, é necessária, geralmente, alguma forma de copiar para um sistema local. Utilizando algumas normas existentes pode-se tornar mais fácil o processo. Por exemplo, dos cursos do projecto MIT podem ser feitos downloads IMS, modificáveis mais tarde no sistema local.Existem ferramentas que permitem o download automático do conteúdo da Web, por exemplo:
  • http://www.httrack.com/ - «It allows you to download a World Wide Web site from the Internet to a local directory, building recursively all directories, getting HTML, images, and other files from the server to your computer. HTTrack arranges the original site's relative link-structure. Simply open a page of the "mirrored" website in your browser, and you can browse the site from link to link, as if you were viewing it online. HTTrack can also update an existing mirrored site, and resume interrupted downloads. HTTrack is fully configurable, and has an integrated help system
  • http://www.gnu.org/software/wget/ - «GNU Wget is a free software package for retrieving files using HTTP, HTTPS and FTP, the most widely-used Internet protocols. It is a non-interactive commandline tool, so it may easily be called from scripts, cron jobs, terminals without X-Windows support, etc. GNU Wget has many features to make retrieving large files or mirroring entire web or FTP sites easy
  • http://curl.haxx.se/

5 – Sites espelhos administrados por outros: os recursos procurados podem já estar disponíveis numa rede do próprio país. A maior vantagem é a rapidez no acesso. Exemplos. http://www.tenet.ac.za/

G - Outras informações e conselhos para utilização de versões offline:

1 - Geralmente, os grandes repositórios de REA (como o Connexions e MIT OCW ) disponibilizam as suas páginas em formato ZIP. Mas o que é o ZIP? Segundo a Wikipedia:

«ZIP é um formato de compactação de arquivos muito difundido pela Internet. Actualmente o formato já tem compatibilidade nativa com vários sistemas operacionais, como o Windows da Microsoft, que já permite compactar e descompactar arquivos no formato ZIP sem o uso de softwares adicionais (externos) instalados.»

O ZIP é um tipo de arquivo que funciona como uma pasta, podendo conter vários ficheiros. Exemplos de programas ZIP:

2 - Uma maneira simples de testar a qualidade da REA em ambiente offline é desligar o computador da Internet e tentar usar o REA;

3 - Para permitir o acesso offline ao seu REA, torne o REA disponível para download num formato que seja conveniente para a re-utilização e modificação e com uma licença que permita a adaptação.


4 - Acessibilidade


Desde que a adaptação de recursos passou a ser influenciada pela procura e pela(s) mudança/alterações, a acessibilidade aos recursos foi afectada de diferentes formas devido às variadas adaptações.

O acesso aos conteúdos

O padrão de acesso aos conteúdos existentes na web é determinado pelo WCAG do W3C (World Wide Web Accessibility Guidelines Consortium). No entanto, é importante notar que as normas não estão totalmente dirigidas para a aprendizagem à distância, já que a pedagogia e a avaliação, por exemplo, não são consideradas.

Aqui estão alguns dos princípios de acessibilidade, que deverão ser considerados:

1. A acessibilidade de um REA deve ser considerada no início de um projecto, porque é mais difícil e mais demorado reajustá-lo posteriormente.

2. Qualquer código HTML (Hypertext Mark-up) deve ser preciso e estar em conformidade com a especificação HTML do W3C . O código deverá ser marcado correctamente, caso contrário poderá não funcionar. O W3C Markup Validation Service validará o código de forma gratuita.

3. As Fontes, as cores e a apresentação do conteúdo não devem ser codificadas - usar o CSS (Cascading Style Sheets) em vez de (veja a W3C CSS Specification da validação livre e automática da W3C CSS Validation Service). Se os aspectos de apresentação do conteúdo são codificados, eles não podem ser alterados como pretendemos.

4. Certifique-se que as imagens são marcadas com o texto “alt” para que as pessoas que não consigam aceder-lhes, possam descobrir o que são.

5. Use o senso comum. Enquanto avaliador de acessibilidade pode determinar se faltam alguns elementos, contudo pode não avaliar se tudo realmente faz sentido. Por exemplo, enquanto um avaliador de acessibilidade pode verificar se o texto “alt” foi incluído, ele não consegue dizer se o texto descreve a imagem certa.

6. Usabilidade também é importante. Uma página da Web que siga rigorosamente todas as orientações de acessibilidade pode, na realidade, tornar-se inutilizável.

7. A acessibilidade não se aplica somente a recursos criados para pessoas com deficiências, mas sim a todos os potenciais utilizadores. Os alunos que estão a tentar aceder a um recurso de vídeo na biblioteca podem não ser capazes de aceder ao som e poderão precisar que o vídeo seja legendado, da mesma forma que um aluno surdo também precisa de legendas para ver esse mesmo vídeo.

8. Quando não é possível fazer um recurso de aprendizagem acessível, deve existir uma alternativa disponível que contemple os mesmos objectivos de aprendizagem. Por exemplo, uma pessoa que não pode usar um “rato”, será incapaz de fazer um exercício de arrastar e largar um ficheiro, portanto, deve ser disponibilizado um exercício alternativo.

9. O uso do Flash pode ser problemático. Têm sido feitos progressos, para torná-lo mais acessível (ver Melhores Práticas em [[http:. Http:www.macromedia.com/resources/accessibility/best_practices/bp_fp.html|Accessible Flash design]]Accessible Flash Design mas o trabalho continua dependendo da complexidade do objecto em Flash.

10. Existem directrizes de acessibilidade em e-learning e especificações de acessibilidade disponíveis a partir de IMS.

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Ciclo de vida dos LO - (Azpeitia, Monge y Ovelar 2005)



Localização e acessibilidade

Criar um REA mais acessível é uma forma de localização. Mas a acessibilidade também é algo a ter em conta quando se procura REA por outras razões. Por exemplo, se estamos a traduzir uma faixa de áudio de uma língua para outra, temos de ter a certeza de que uma das transcrições, seja feita para todas as pessoas, incluindo aquelas que possuam deficiência auditiva. Além disso, devemos certificarmo-nos que todas as edições de vídeo devem estar preparadas para serem transcritas.

Basicamente, devemos fazer as seguintes perguntas quando analisamos ou criamos um REA:

1. Encontrei algo que exclui as pessoas com deficiência de usar o REA?
2. Há algo que eu poderia fazer para tornar esse recurso mais acessível às pessoas com deficiência?

Ao colocar estas perguntas, temos de ter em atenção o tempo e os recursos que podemos disponibilizar. Em alguns casos podemos não ser capazes de tornar um REA acessível a todos, em tempo oportuno.

Remistura (Remix) e acessibilidade

Tal como acontece com a localização, a acessibilidade também deve ser tida em conta quando se fazem remisturas. As mesmas orientações que se aplicam à acessibilidade de localização também se aplicam à acessibilidade de mistura. Transcrições ou “closed captioning” para vídeos “mashup” devem ter alguma credibilidade. A mistura resultante não deve ser desnecessariamente difícil para pessoas com deficiência visual ou qualquer outra incapacidade. Quando olharmos para os materiais de mistura, temos de ter em atenção aqueles que já possuem recursos de acessibilidade, pois se existirem vão exigir menos trabalho da nossa parte.

Há também considerações técnicas de acessibilidade a considerar quando misturamos. Por exemplo, o Windows Media requer um arquivo separado para “closed caption”, enquanto o Quick Time permite que o arquivo seja incorporado no ficheiro de vídeo. Quando misturamos devemos pensar sempre no formato final e como este pode afectar a acessibilidade.


5 - Perspectivas


Há relatos de magníficas experiências e de aspectos relevantes no que concerne à adaptação de REA. Um membro da comunidade da Wikibooks [1] criou o Livro do Alfabeto Animal [2] para ajudar crianças e jovens a aprender o alfabeto. O livro apresenta fotos coloridas que foram tiradas a partir de fontes abertas, tais como Wikimedia Commons e Flickr. Para levar aquele projecto mais além, outro membro da comunidade remisturou o livro para criar uma variedade de formatos, tais como e-livros e vídeos, que podem ser usados numa variedade de plataformas de hardware (handhelds, iPods, telemóveis, etc.) tanto online como offline. Os vídeos incluíam música de uma sinfonia de licença aberta e narração gravada. Um desses vídeos foi enviado para o TeacherTube .
Para Feldstein (2005), a remistura acontece num ambiente no qual os utilizadores têm a capacidade de fazer mais do que os programadores/produtores, trata-se de uma arquitectura que pode ser inflectida por professores (não programadores).
Há, no entanto, contribuições que apontam para aspectos a melhorar. Wiley (2005) dá conta do facto de ainda não haver grande conhecimento sobre o processo de adaptação, não apenas no que diz respeito à tradução mas também à transposição de elementos socioculturais.
Dewis (2008) salienta que a ferramenta de eleição de muitos professores e académicos para o processo de mistura de dados é o processador Word - correspondente à versão linear e de impressão, actualmente facultados pelos REA, o que constitui um aspecto crítico para o futuro deste tipo de recursos.
Uma vez que é dominante, a nível universitário, a vertente da criação de novos conteúdos, para cursos online, Udas (2008) enfatiza a vertente do uso, apelando às vantagens de se (re)usar e modificar conteúdos já disponíveis e licenciados para uso aberto.

Os REA podem ser elaborados, de origem, tendo em conta a possibilidade de eventuais adaptações. McBrien, por exemplo, no artigo Developing Localization-Friendly E-Learning, fornece algumas dicas para a elaboração de REA (exclusivamente para utilizar em formação/educação e-learning) que facilitam a sua posterior adaptação, “localização” e/ou tradução.

Philip Race, no capítulo Planning how to adapt existing resources do seu livro (500 tips for) OPEN AND ONLINE LEARNING, apresenta um conjunto de dicas exclusivamente dirigidas a quem pretende adaptar recursos educacionais abertos:
1. Veja a adaptação de um modo positivo
2. Com materiais online, verifique que pode, efectivamente, adaptar os materiais
3. Comece pelos resultados de aprendizagem esperados
4. Comece por pensar noutros materais que pretenda que os seus alunos utilzem juntamente com os materiais adaptados
5. Analise cuidadosamente os mateirais interactivos
6. Analise a qualidade das respostas aos testes e actividades de auto-avaliação
7. Pense em adicionar exercícios de auto-avaliação e respectivos feedbacks completamente novos
8. Reveja todos os exercícios dos tutores incluidos no material
9. Pense em escreve um guia que apoie a navegação dos seus alunos ao longo do material
10. Pense se será adequado fazer um "corta-e-cola" do material a ser adaptado
11. Planifique cuidadosamente a adaptação


Bibliografia/Webgrafia


c Coutinho, Clara Pereira e Sousa Adão (2009, Dezembro). CONTEÚDOS DIGITAIS (INTERACTIVOS) PARA EDUCAÇÃO: QUESTÕES DE NOMENCLATURA, REUTILIZAÇÃO, QUALIDADE E USABILIDADE. Revista Científica de Educação à Distância, n.º2, Volume 2. Acedido a 25 de Março 2010, em: http://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/9959/1/adaoeclara.pdf

c Dewis, L. (2008). OER stories:OpenLearn, The Open University. OER Wiki. Acedido em 14 de Maio de 2008, http://oerwiki.iiep-unesco.org/index.php?title=OER_stories:OpenLearn%2C_The_Open_University

c Feldstein, M. (2005). Does Education Inflected Architecture = Web 2.0? Acedido em 22 de Maio de 2008 http://www.mfeldstein.com/does_education_inflected_architecture_web_20/

c Gomes, Alex Sandro et al. Adequação de Software Educativo e Formação Continuada. Acedido em 25 de Março de 2010, em:
http://74.125.155.132/scholar?q=cache:xCf_RMeUMd8J:scholar.google.com/+Adequação+de+Software+Educativo+e+Formação+Continuada+&hl=pt-PT&as_sdt=2000

c Hatcher, J.S. (2008). "English subs, worldwide audiences, anime, and open content." Opencontentlawyer.com. Acedido em 24 de Março de 2010, http://www.opencontentlawyer.com/2008/02/14/english-subs-worldwide-audiences-anime-and-open-content/

c McBrien, K. Devloping Localization-Friendly E-Learning (http://www.astd.org/LC/2005/0505_mcbrien.htm)

c Ovelar, Rámon e outros(2006)- Identificación de Buenas Prácticas en la Creación, Uso, Modificación, Distribución y Promoción de Objetos y Diseños de Aprendizaje. Acedido em 8 de Abril de 2010, em:
http://www.sergiomonge.com/doc/ComHeziker2006.pdf

c Race, Philip. (500 tips for) Open and Online Learning, disponível em http://books.google.pt/books?id=WMxEFe-pqxMC&pg=PA58&lpg=PA58&dq=tips+to+adapting+learning+materials&source=bl&ots=cIzu8zxLpq&sig=DR26oclVB8nEQ8kpEQAXSYFJAZ0&hl=pt-PT&ei=XuzAS7KUCpKNOK60pL4B&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=10&ved=0CDYQ6AEwCQ#v=onepage&q&f=false

c Sempebwa, Clare C. How to adapt/localize training material (http://opentraining.unesco-ci.org/cgi-bin/page.cgi?d=1&p=adaptlocalize)

c SKME. (2008, February 8). What is localization? Connexions. Retrieved March 21, 2008, from http://cnx.org/content/m15222/latest/

c Udas, K. (2008). Doing OER and OA: More Questions than Answers. Open Students. Acedido em 29 de Maio de 2008
http://www.openstudents.org/2008/05/12/doing-oer-and-oa-more-questions-than-answers

c
Wiley, D. (2005). Thoughts from the Hewlett Open Ed Grantees Meeting. Iterating Towards Openness. Acedido em 14 de Maio de 2008 http://opencontent.org/blog/archives/192